O que os dados mostram sobre roubo e furto em Taubaté?
A taxa de roubo em Taubaté caiu 20% em 2025 e está no menor patamar da série recente, mas segue a mais alta entre as cidades médias da RMVale. A de furto não se move há três anos e é a segunda mais alta do grupo. Dois crimes contra o patrimônio com trajetórias opostas na mesma cidade.
Tema sensível. Cada atualização publicada passa pelo protocolo de verificação do Radar.
Segurança pública é competência majoritariamente estadual, das polícias Militar e Civil. O município atua em guarda municipal, iluminação, videomonitoramento e prevenção situacional. Os dados abaixo são registros de ocorrência da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.
A leitura evita atribuir mérito ou responsabilidade a gestão específica, dado que a competência principal é estadual. Cada atualização publicada passa pelo protocolo de verificação do Radar.
O estado atual
Em 2025, Taubaté registrou 17,9 roubos por 10 mil habitantes e 104,7 furtos por 10 mil habitantes. A taxa de roubo caiu 20,1% no ano e está no menor patamar da série recente. A de furto subiu 1,6% e está praticamente estável há três anos. A letalidade violenta foi de 9,0 mortes por 100 mil habitantes, 29 mortes em 2025 contra 26 em 2024, alta de 11,2% sobre uma base pequena, ainda a segunda menor da série.
Roubo envolve violência ou ameaça à vítima. Furto é a subtração sem contato. A série de roubos tem um salto abrupto entre 2016 e 2017 que não corresponde a mudança real na cidade e provavelmente reflete alteração no registro da SSP-SP; por isso a comparação de longo prazo usa 2017 como início. A letalidade violenta combina homicídio doloso, latrocínio e lesão corporal seguida de morte, pela metodologia do Radar, não a soma bruta da tabela mensal da SSP-SP. As taxas usam a população canônica do IBGE. Os dados de 2025 estão completos (12 meses), conforme consolidação da SSP-SP no início de 2026.
A trajetória
| Ano | Roubos por 10 mil hab. | Furtos por 10 mil hab. |
|---|---|---|
| 2015 | 13,3 | 130,0 |
| 2019 | 36,1 | 109,6 |
| 2022 | 31,7 | 108,9 |
| 2024 | 22,4 | 103,1 |
| 2025 | 17,9 | 104,7 |
A taxa de roubo vinha de patamar mais alto no fim da década passada e recua de forma consistente desde 2022. A de furto caiu até 2020, subiu na retomada pós-pandemia e desde 2022 oscila num intervalo estreito, sem tendência de queda.
Comparação com cidades de porte parecido
Comparar Taubaté com os 39 municípios da RMVale distorce a leitura: a maioria é de pequeno porte, com taxas próximas de zero por efeito de escala. O recorte abaixo usa as cidades médias da região.
| Município | Roubos |
|---|---|
| São José dos Campos | 9,7 |
| Jacareí | 11,5 |
| Guaratinguetá | 12,4 |
| Pindamonhangaba | 14,0 |
| Caraguatatuba | 17,7 |
| Taubaté | 17,9 |
| Município | Furtos |
|---|---|
| Guaratinguetá | 70,5 |
| Jacareí | 75,2 |
| Pindamonhangaba | 78,6 |
| São José dos Campos | 83,7 |
| Taubaté | 104,7 |
| Caraguatatuba | 134,3 |
| Município | Letalidade |
|---|---|
| São José dos Campos | 5,0 |
| Jacareí | 5,6 |
| Guaratinguetá | 7,4 |
| Taubaté | 9,0 |
| Caraguatatuba | 14,1 |
| Pindamonhangaba | 15,6 |
Entre as cidades médias da RMVale, Taubaté tem a maior taxa de roubo e a segunda maior de furto em 2025. Em letalidade violenta fica no meio do grupo. A queda dos roubos aparece em toda a região e no estado; Taubaté acompanhou o movimento, mas partiu e permanece de um patamar mais alto que o dos vizinhos de porte.
Leitura analítica
O que os dados sustentam
- A taxa de roubo de Taubaté caiu de forma consistente desde 2022 e está no menor nível da série recente.
- Mesmo com a queda, Taubaté tem a maior taxa de roubo entre as cidades médias da RMVale.
- A taxa de furto não recua há três anos e é a segunda mais alta entre os vizinhos de porte.
- A letalidade violenta subiu no último ano sobre uma base pequena; a série de médio prazo continua em queda.
O que os dados não sustentam
- Registros de ocorrência dependem de notificação; roubo e furto têm padrões de subnotificação diferentes, o que limita a comparação de níveis absolutos.
- A série não permite atribuir a variação a uma política específica, municipal ou estadual.
- Um único ano de alta na letalidade, ainda mais sobre poucas dezenas de casos, não caracteriza reversão de tendência.
Apontamento técnico
Roubo e furto respondem a instrumentos diferentes. Roubo, por envolver confronto, é mais sensível a policiamento ostensivo, presença nas áreas de maior incidência e videomonitoramento, e é onde a curva de Taubaté vem caindo, acompanhando a tendência estadual. Furto responde mais a prevenção situacional, como iluminação, desenho urbano e mudança de comportamento, e é onde a curva não se move. A série mostra que o furto de Taubaté já foi bem mais alto, 130 por 10 mil habitantes em 2015, e caiu até 2020; a estagnação recente, num patamar acima do das cidades vizinhas, é o dado a acompanhar.
Sobre a confiança nesta leitura: Os registros de ocorrência são oficiais (SSP-SP). A leitura da tendência ao longo dos anos é firme. A comparação de patamar entre cidades é menos precisa, porque roubo e furto têm padrões de notificação diferentes.
Perguntas frequentes
- A violência aumentou em Taubaté?
- Depende do crime. A taxa de roubo caiu 20% em 2025 e está no menor patamar da série recente. A de furto está estável há três anos. A letalidade violenta subiu no último ano (de 26 para 29 mortes), mas segue abaixo da média da década.
- Taubaté é uma cidade segura em comparação com a região?
- Entre as cidades médias da RMVale, Taubaté tem a maior taxa de roubo e a segunda maior de furto em 2025. Em letalidade violenta fica no meio do grupo. A comparação com os municípios pequenos da região não é informativa por efeito de escala.
- Por que o roubo cai e o furto não?
- São crimes com dinâmicas diferentes. Roubo responde mais a policiamento ostensivo e monitoramento, e vem caindo em todo o estado. Furto responde mais a prevenção situacional e é subnotificado de forma distinta.
- A prefeitura é responsável pela segurança?
- Parcialmente. As polícias Militar e Civil são estaduais. O município atua em guarda municipal, iluminação, videomonitoramento e prevenção.
- De onde vêm os dados?
- Da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (registros de ocorrência), com taxas calculadas pelo DataCore do Aletheia sobre a população do IBGE. A letalidade violenta usa a metodologia do Radar, não a soma bruta da tabela da SSP-SP.
Histórico de atualizações
- Primeira versão, revisada no protocolo de verificação: comparação regional refeita com as cidades de porte parecido (a comparação com os 39 municípios da RMVale distorcia por escala); consistente com a divulgação estadual parcial de 2026 (queda dos roubos no estado, perfil patrimonial em Taubaté).
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